Especialista em Epidemiologia faz alerta para gravidade da Chikungunya

Campinas registrou primeiro óbito na história; sinais da doença são dores articulares intensas e prolongadas, que em muitos pacientes duram meses
Campinas, 21 de maio de 2025 – A morte de um homem de 49 anos por chikungunya em Campinas reacendeu o sinal de alerta entre profissionais da saúde. O caso, confirmado nesta terça-feira pela Secretaria Municipal de Saúde, mostra que a doença, embora menos comum que a dengue, pode evoluir com gravidade e levar ao óbito, especialmente em pessoas com outras condições de saúde prévias.
Segundo o médico de família e comunidade George Mantese, mestre em Epidemiologia e doutorando em Educação e Saúde pela USP, o caso precisa ser levado a sério.
“A chikungunya é, frequentemente, subestimada. Enquanto a dengue chama mais atenção pelos sangramentos e quadros agudos, a chikungunya é marcada por dores articulares intensas e prolongadas, que em muitos pacientes duram meses e afetam severamente a qualidade de vida”, explica.
Ele explica que o vírus é transmitido pelo mesmo mosquito da dengue, o Aedes aegypti, e os sintomas das duas doenças podem se confundir nos primeiros dias. Febre alta, dores no corpo, mal-estar, manchas na pele e até conjuntivite estão entre os sinais mais comuns.
“É quase impossível diferenciar apenas com base nos sintomas. A confirmação depende de exames específicos”, alerta Mantese. “É importante procurar atendimento médico o quanto antes”, reforça ele.
De acordo com Mantese, no caso da chikungunya, além das dores articulares, há o risco de complicações neurológicas e cardíacas, principalmente em pessoas com doenças crônicas como diabetes e hipertensão. A evolução pode ser silenciosa e, quando os sinais de alarme aparecem — como vômitos persistentes, dor abdominal intensa, tontura, confusão mental ou manchas roxas na pele — é sinal de que a situação exige atendimento imediato.
Campinas já registrou cinco casos de chikungunya em 2025, sendo três com transmissão dentro do próprio município. Em 2024, foram doze casos. Para o médico, a presença de casos autóctones é um sinal claro de que o vírus está circulando. “Precisamos redobrar os cuidados com o mosquito. É ele o elo entre essas doenças e nossa saúde.”
Entre as medidas preventivas, Mantese destaca ações simples, mas eficazes: eliminar água parada, limpar calhas e caixas d’água, manter lixeiras bem vedadas e usar repelente diariamente. “É uma tarefa coletiva. O mosquito está dentro das casas, nos quintais e nos pequenos descuidos do dia a dia. O combate começa dentro de casa”, finaliza.
