SUGESTÃO DE ARTIGO: A Normalização do Ilegal: o perigo silencioso que ameaça o progresso

*Marcelo Brandão

Um estudo recente da USP em parceria com o Instituto Ipsos revelou um dado alarmante: até 25% dos brasileiros aceitam consumir produtos ilegais. Quando olhamos para setores como bebidas alcoólicas (24%), eletrônicos (20%) e vestuário (25%), percebemos que o consumo de falsificados e adulterados já não é apenas uma prática pontual, é um comportamento normalizado.

E o mais preocupante: essa aceitação não está restrita às classes mais baixas, como muitos imaginam. A pesquisa mostra que o consumo de produtos ilegais está presente em todas as faixas socioeconômicas. Isso revela que o problema não é apenas econômico, mas cultural.

A falsa sensação de vantagem

Muitos consumidores acreditam que estão ‘levando vantagem’ quando optam por produtos falsificados ou contrabandeados. O argumento comum é o preço. Mas o custo real é outro, e muito mais alto.

Cada produto ilegal adquirido financia redes criminosas, fomenta o trabalho escravo, incentiva o contrabando, a evasão fiscal e enfraquece o ecossistema de empresas sérias que geram emprego, inovação e pagam impostos.

A Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI) estima que o mercado global de falsificações movimente mais de 2,3 trilhões de dólares por ano. No Brasil, são bilhões em impostos perdidos e milhares de empregos extintos por causa da pirataria e da falsificação.

O impacto invisível

Por trás de cada produto falso há uma cadeia de prejuízos. Empresas que investem em pesquisa e desenvolvimento, em design, em tecnologia e qualidade veem seus esforços sendo copiados por quem não arrisca, não investe e não gera valor real. O resultado é um desestímulo à inovação e um desequilíbrio competitivo que corrói a economia e a confiança do consumidor.

Consumir o falso é aceitar o atalho, e atalho algum leva ao progresso.

A mudança começa pelo conhecimento

Enquanto sociedade, precisamos ressignificar a ideia de ‘vantagem’. A verdadeira vantagem está em fazer o certo, em valorizar quem cria, quem protege e quem inova. E isso começa pela educação em propriedade intelectual, pela consciência de consumo responsável e pela valorização da originalidade.

Empresas, governos e instituições de ensino precisam tratar esse tema com urgência, não apenas como uma questão de mercado, mas de cidadania.

Por um mundo menos arriscado

A proteção da propriedade intelectual é uma das principais barreiras contra o avanço da ilegalidade. Cada marca registrada, cada patente concedida, cada obra protegida é um tijolo a mais na construção de um mercado mais ético e sustentável.

Combater o consumo de produtos falsificados é defender a inovação, a economia e a justiça social. E isso começa em uma escolha simples — a escolha de não compactuar com o ilegal.


Marcelo Brandão. Consultor e Palestrante em Propriedade Intelectual
Sócio-Diretor da Vilage Marcas e Patentes