Especialista diz que a queda da patente da semaglutida reforça a importância da proteção em produtos e pesquisas

Após 20 anos, Novo Nordisk perde direito de exploração exclusiva no próximo dia 20 e abre à concorrência um mercado de R$ 20 bi

Campinas, março de 2026 – Após 20 anos da chegada ao mercado nacional da semaglutida, princípio ativo do Ozempic, utilizado para o tratamento da obesidade e do diabetes, a Novo Nordisk deixa de ter exclusividade do produto no Brasil a partir do dia 20 de março, sexta-feira.  quando termina a patente da multinacional farmacêutica. O fim da proteção aos investimentos e da exclusividade permite às concorrentes desenvolverem e colocar no mercado produtos genéricos no País, com lançamentos mais baratos em um mercado com potencial para movimentar R$ 20 bilhões em 2026.

Segundo a Lei nº 9.279/96, a patente é concedida pelo Estado, através do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), e garante a propriedade temporária sobre uma invenção ou um modelo de utilidade. A patente é fundamental para garantir o direito de exclusividade sobre uma invenção por tempo determinado, impedindo que terceiros a copiem ou comercializem sem permissão.

Marcelo Brandão, diretor da Vilage Marcas e Patentes Regional Campinas, explica que a patente é de grande importância no mundo corporativo. Ela protege investimento realizado durante anos em pesquisa, gera receita por royalties ou licenciamento, valoriza a empresa no mercado e incentiva a inovação tecnológica.

“No Brasil, geralmente, a patente concedida pelo INPI permite à empresa o direito de explorar suas inovações por um período de 20 anos, garantido retorno aos investimentos realizados”, explica Brandão. “A contrapartida ao monopólio é que após esse período outras empresas possam desenvolver produtos similares ou genéricos com melhorias a custos menores para o mercado”, explica.

O diretor regional da Vilage diz que o término da patente da semaglutida da Novo Nordisk, uma das mais valiosas do mercado farmacêutica mundial, mostra para as empresas a importância de olhar com cuidado para os produtos que elas criam e desenvolvem. “Só no Brasil, falamos de um mercado de R$ 20 bilhões em um ano, imagine a perda financeira com os investimentos realizados e o faturamento a fabricante teria perdido caso não tivesse patenteado seu produto há 20 anos, permitindo que a concorrência lançasse produtos semelhantes”, indaga Brandão.

Ele afirma que o caso da semaglutida é emblemático e serve de alerta para as companhias de todos os portes. “Toda empresa deve proteger suas pesquisas, inovações e produtos através do pedido de patente e se proteger de roubos da propriedade intelectual e de milionários prejuízos financeiros”, completa.